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Mostrando postagens de agosto, 2024

Coisas do pai

Um silêncio sepulcral tomou conta da casa, uma poltrona velha rangia com o balançar de pernas de um homem nervoso, mas em silêncio. A mão do sujeito foi ao bolso arrancando de lá um isqueiro, a outra sob as marcas de sangue foi até uma caixa de charuto que há dias esperava declínio. Ascendeu. A cada trago no cubano, memórias cruzavam a cabeça atormentada do homem, o sangue, o machado, o tremor e nervosismo da primeira morte, em seu anular esquerdo, acima da aliança de casamento havia anel de pedra verde que passara de herança, pai para filho. “ A hereditariedade é uma merda” pensou, dos três filhos, Jorge havia sido o único a assumir o império que o pai deixara, logo se arrependera.  Sua mulher o assistia da cozinha, o balcão de cortes se dava justamente à poltrona da sala na qual pretensiosamente organizou para que pudesse assistir o parceiro.  O olhar da mulher se deteve nos arranhões no pescoço, descera aos rasgos na camisa, o antebraço ainda ensanguentado, pudera sentir a ...