Observar as curvas dessa louca havia virado uma rotina que eu insistia em manter, apesar de, após o fim, tê-la jogado à beira do esquecimento. Alguns detalhes do teu corpo ainda me aprisionavam, como delinquente inclinado ao crime ou o divino ao pecado. Apenas fui justo: tentar olhá-la com outros olhos, se não com grande afeto, era quase que impossível, pensava, até que suplicou a eternidade. Por mais absurdo que seja, desenvolvi a impecável habilidade de quebrar o espaço espiritual do carnal. Então, ao dormir, deixava que meu corpo adormecesse e minha alma saísse. Numa dessas viagens, fui até a casa dessa mulher que tanto me suplicava a existência infame. A primeira visita me serviu como observador da tua existência, da tua essência feminina e perversa: um banho quente, o vapor que se alojava em sua pele negra e lhe dava um brilho absurdo, como se pequenos fragmentos de diamantes estivessem presos em tua carne, uma mão que descia e um gemido que subia. Minha curiosidade foi terminad...
Imagine que você está sentado(a) em um sofá agora, você se levanta, vai até a cozinha e prepara o café, no mesmo ambiente uma voz abafada vem ganhando tom e ficando cada vez mais alta, essa voz por sua vez cita literariamente cada movimento, cada gesto seu, sua vida neste momento está sendo narrada! Mas você determina suas ações ou suas ações é determinada por esse narrador misterioso? A magia da literatura, é imersiva, misteriosa e apaixonante. Mas que tipo de narrador eu sou? Boa viagem!
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