Encarei por um longo tempo em minha frente, tomando coragem para finalmente fazê-lo. Mas fazer o quê? Por quê? Não sabia, mas senti que deveria. Se foi impulso? Talvez tivesse sido, sim. Mas se não fosse eu, quem seria? A ideia de matá-la veio cedo, logo pela manhã ao chegar ao escritório. Seu primeiro murmúrio me deixou completamente irritada e soube — naquele momento eu soube — que, se continuasse me infernizando de tal absurdo modo, eu teria que fazer o que pensava. Dez horas. Fiz uma rápida pausa para o café. Ela me seguiu, perguntava a todo instante: — O que você vai comer? Vai almoçar onde? — Inferno! Isso é um problema meu!! Um longo silêncio. Após o café e essa súplica, ela se aquietou. Mas via em sua face o incômodo, como se quisesse balbuciar e começar novamente a me irritar. E começou. Via em minha face a infame irritabilidade, a sobrancelha franzida, as rugas aparentes e os rangidos nos dentes. Estava ficando impossível permanecer onde estava. Fui ao banheiro tent...
Imagine que você está sentado(a) em um sofá agora, você se levanta, vai até a cozinha e prepara o café, no mesmo ambiente uma voz abafada vem ganhando tom e ficando cada vez mais alta, essa voz por sua vez cita literariamente cada movimento, cada gesto seu, sua vida neste momento está sendo narrada! Mas você determina suas ações ou suas ações é determinada por esse narrador misterioso? A magia da literatura, é imersiva, misteriosa e apaixonante. Mas que tipo de narrador eu sou? Boa viagem!