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O Malear de quem ama

- Não foram os cabelos, muito menos aquela maldita boca que deixou Samuel louco de desejo. Não foram as curvas do seu corpo, definitivamente não foi a curva do seu corpo, o sorriso? Talvez, ela tem um sorriso encantador e qualquer um que a olhasse iria à loucura. Tanto homens quanto mulheres, ela sabia disso, ela gostava disso. Não, eu não sei o motivo dela fazer isso. Sei lá, sumir assim do nada deixando apenas uma carta de adeus no computador! Não parece algo que ela faria!

- Como sabe da carta de adeus? Em momento nenhum eu falei da carta de adeus.

- As notícias correm, eu tinha um vínculo com ela, sabe.

- Precisamos encontrá-la, sabe pra onde ela iria?   

- Curitiba, ela era louca por Curitiba! Amava o clima frio.

- Amava?

- Amava, ama. Isso não importa agora. Ela foi embora!

- Continue, sobre Curitiba...

- Viajamos uma vez para lá. Foi interessante, bebemos muito. Aconteceram umas coisas que eu não esperava.

- Que tipo de coisas?

- Naquela viajem eu conheci uma nova Gabriela, não a doce, fofa e encantadora Gabriela. Uma nova. Uma Gabriela bem pervertida pra falar a verdade, detetive. Poderia me passar aquela garrafa?

O investigador levantou, foi até uma mesa encostada na parede e pegou a garrafa d'água, estregou para a pessoa com quem conversava dizendo:

- O que houve entre vocês?

- Nós transamos loucamente, ela fuma depois do sexo. Não sei se essa informação é importante, mas ta aí.

- Seja mais detalhista!

- Foi assim, saímos para beber. Paramos no primeiro bar da esquina, “Eros bar” eu sei, eu sei. Parece nome de motel. – Houve um silêncio inquietante na sala, continuou – Bom, bebemos e bebemos, ela até que bebeu pouco, já eu? Enlouqueci completamente, mas me lembro daqueles olhos, aqueles olhos castanhos escuros que traziam uma tempestade dentro deles 

- O que eu não tô entendendo, é onde entra o Samuel nessa história. Me fale do Samuel?

- Assim, numa quinta-feira à noite, decidimos ir a um karaokê eu sugeri fazermos isso em casa, mas não, ela queria mostrar alguma coisa pra alguém. Sabe detetive, pra que todo esse interrogatório? Ela foi embora, sumiu, vazou, meteu o pé! Eu não sei pra onde e nem porquê!

O detetive estava perdendo a paciência, estava cansado, mas precisava manter a calma!

- Me fale do Samuel! Pare de enrolar!

- O Samuel foi complicado, na verdade não, parando pra pensar foi bem clichê. Ela estava na faculdade, precisava ver as notas, só que não estavam conseguindo, ah Samuel, seu safado! Viu como uma oportunidade de se aproximar e se aproximou. Eles conversaram, começaram a ficar, sair e namorar.

- Isso foi antes ou depois de você e Gabriela viajarem?

- Foi depois...

- Me diga, você sentia ciúmes, não sentia?

- Nem um pouco, me conformei com a ideia.

- Sei...

- Posso fazer uma pergunta, detetive?

- Vá em frente!

- Onde está o Samuel agora? E por que veio até minha casa, falar sobre Gabriela? Poderia ter me chamado na delegacia.

- Eu queria vir conversar com você antes.

- Antes? Antes do que?

- Em quarenta minutos a polícia vai chegar, vamos vasculhar cada parte da sua casa, cada canto! Sabe, Gabriela e Samuel foram encontrados, e o mais interessante, mortos.

- Como assim? Eu não tenho nada a ver com isso! Que tipo de brincadeira é essa?

- Eu vou te falar o que vai acontecer, eles vão chegar, vão vasculhar sua casa e vão encontrar um martelo ensanguentado aqui, junto com meio quilo de cocaína. Mas você pode ser mais esperta Anna, se conseguir encontrar antes deles chegarem...

- Você só pode estar de palhaçada, não foi eu, eu não a matei!

- Eu sei que não, mas você não tem álibi, e o melhor de tudo, você não tem saída.

- Por que isso, detetive? – Disse Anna aos prantos.

- Sabe, quando eu conheci Gabriela foi tudo um sonho. Ela me prometeu o mundo, me prometeu seu coração! Mas aí esse tal de Samuel apareceu e tirou ela de mim, ela deixou isso acontecer...

- Então você os matou.

- Eu não matei ninguém, até onde eu sei você que matou. Sabe, eu tenho um plano melhor para você.

O detetive puxou de baixo do sofá o martelo, fitou os olhos assustados de Anna, sem que ela pudesse se defender, ele a bateu na cabeça, ele não parou, continuou batendo. Precisava ter certeza de que ela estaria morta, em sua cabeça seria melhor assim, acabar de vez com aquele triângulo amoroso. Limpou suas digitais da ferramenta e colocou na mão de Anna, aquela história morria ali, naquele momento. Foi embora do local. Ao sair a polícia havia chegado.

- Boa tarde pessoal, não tem ninguém em casa. Nem precisa iniciar a busca, não encontrei nada.

- Certeza detetive?

- Vão pra casa, descansem. Abracem seus filhos. Esse caso não tem solução...

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