Essa havia sido a penúltima carta de amor de Naomi, não pelo contexto das palavras ou por seu conteúdo, mas pela sinceridade. Alguma em coisa em meu coração já esperava por este momento, só não imaginava que pudesse ser tão cedo. Eu a olhei nos olhos na primeira manhã depois que saímos da maternidade e tinha certeza que no brilho castanhos havia algo quiçá da felicidade, tomamos café, almoçamos e via como encarava nosso filho recém nascido e tive certeza, ele de algum modo a salvaria de toda amargura. Eu estava errado. Não dera sequer 6 meses do nascimento do nosso filho quando encontrei na cozinha sua “carta de amor” escrita com quatro palavras num papel amassado, como se tivesse desistido no processo e retomado a coragem no caminho. “eu não posso, desculpa”. Sobre a pia Naomi deixou uma mamadeira com leite morno, o que me dizia que fazia menos de uma hora que partiu, no congelador algumas garrafas com seu leite materno para congelar, nosso bebê ainda estava dormindo, então...
Imagine que você está sentado(a) em um sofá agora, você se levanta, vai até a cozinha e prepara o café, no mesmo ambiente uma voz abafada vem ganhando tom e ficando cada vez mais alta, essa voz por sua vez cita literariamente cada movimento, cada gesto seu, sua vida neste momento está sendo narrada! Mas você determina suas ações ou suas ações é determinada por esse narrador misterioso? A magia da literatura, é imersiva, misteriosa e apaixonante. Mas que tipo de narrador eu sou? Boa viagem!