Nunca imaginei que pudesse viver assim. A dor de perder alguém de modo tão repentino acaba por maltratar até o mais frio dos homens. Foi assim comigo também, pelo menos até semana passada. Acontece que eu não soube dizer ao certo se era assombração ou saudade da minha falecida esposa, mas comecei a ver, nos dias que se seguiram à sua partida, coisas em minha casa que remetiam a ela, como se algo no universo não quisesse que eu superasse o luto. Então, para fugir das lembranças, mudei de casa. Mas as coisas ficaram estranhas. Os primeiros dias na nova casa foram tranquilos, nada parecia remeter ao passado. Mesmo sentindo que talvez não estivesse pronto para seguir em frente — no fundo, não queria, essa força trouxe novamente memórias dela. Uma, em específico, acredito ter sido o que desencadeou o que estou prestes a dizer. Na arrumação da nova residência, abri uma das caixas e encontrei dois frascos de perfume, um meu e outro dela. Com anos de casados, desenvolvemos o costume de dar u...
Imagine que você está sentado(a) em um sofá agora, você se levanta, vai até a cozinha e prepara o café, no mesmo ambiente uma voz abafada vem ganhando tom e ficando cada vez mais alta, essa voz por sua vez cita literariamente cada movimento, cada gesto seu, sua vida neste momento está sendo narrada! Mas você determina suas ações ou suas ações é determinada por esse narrador misterioso? A magia da literatura, é imersiva, misteriosa e apaixonante. Mas que tipo de narrador eu sou? Boa viagem!